Em meio ao anúncio feito ontem pelo governo Bolsonaro de que o Ministério da Defesa vai promover atos de comemoração aos 55 anos do golpe militar, no dia 31 de março, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos promove uma “caminhada do silêncio” em São Paulo. A manifestação, marcada desde fevereiro, será no Parque Ibirapuera na mesma data em que as Forças Armadas farão suas deferências ao regime militar.

Pela primeira vez na história recente da democracia brasileira, um presidente da República nega a existência do período de exceção, restrições de liberdades e de violações dos direitos humanos vivido pelo país ao longo de 21 anos. “O presidente não considera 31 de março de 1964 um golpe militar. Ele considera que a sociedade, reunida e percebendo o perigo que o país estava vivenciando naquele momento, juntou-se, civis e militares, e nós conseguimos recuperar e recolocar o nosso país em um rumo que, salvo o melhor juízo, se isso não tivesse ocorrido, hoje nós estaríamos tendo algum tipo de governo aqui que não seria bom para ninguém”, disse ontem o porta-voz do Palácio do Planalto.

Para lembrar e homenagear os 434 mortos e desaparecidos durante a ditadura, vítimas da violência do Estado, manifestantes caminharão em silêncio da Praça da Paz, dentro do parque, até o Monumento pelos Mortos e Desaparecidos Políticos, do lado de fora. O monumento, concebido pelo arquiteto Ricardo Othake, foi construído pela Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo e inaugurado em 2014.

A caminhada começa às 18h30, após algumas apresentações literomusicais (das 16 às 18 horas) e os organizadores pedem aos participantes que tragam velas, flores e fotos de seus entes desaparecidos para serem depositadas no monumento. E convoca interessados em permanecer em vigília no local, até a meia noite do dia primeiro de abril.

Aqui, link do Facebook para o evento.

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