Por Camilo Vannuchi

Um dia surge um boato, no dia seguinte todo mundo corre para desmentir. E não é só no Brasil que funciona desse jeito. Se 1º de abril é o Dia da Mentira, nada mais justo que transformar o dia seguinte em Dia da Checagem.

Foi exatamente isso que a comunidade internacional de checadores e checadoras decidiu implementar dois anos atrás, criando o Fact-Checking Day. Em 2 de abril, é claro, ora convertido em dia oficial de desmentir o que for mentira. À frente da iniciativa está a International Fact-Checking Network, rede que reúne cerca de 150 sites e entidades dedicadas à verificação de notícias.

A proposta é chamar atenção para o volume de conteúdos mentirosos que vêm sendo divulgados por meio de todas as plataformas, do WhatsApp aos jornais impressos, e divulgar a importância de checar. “Acreditamos que a checagem de fatos não deve ser uma tarefa exclusiva dos checadores profissionais”, diz a justificativa para a criação da data. “Um ecossistema de informações preciso exige que todos façam sua parte”.

No site Fact-Checking Day, é possível encontrar dicas (em inglês) para se esquivar das fake-news. E cursos que podem ajudar educadores a trabalhar o tema em sala de aula. “A checagem de fatos, ou a simples busca pela verdade, dá trabalho e consome tempo”, afirma o jornalista Gilberto Scofield Jr., diretor de estratégia da Agência Lupa, uma das pioneiras no Brasil. “Exige que o indivíduo conheça e saiba navegar em bancos de dados e registros históricos. Demanda domínio de ferramentas modernas que comparam imagens e vídeos e indicam se eles foram manipulados”, afirma ele, em artigo publicado na Folha de S.Paulo.
 

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Camilo Vannuchi é jornalista e escritor. Coordenador do Instituto Casa da Democracia, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela USP. Foi membro da Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo (2016). Escreve normalmente sobre política, direitos humanos e direito à comunicação.