Realizada tradicionalmente no mês de maio, a quarta edição da Feira Nacional da Reforma Agrária deve acontecer apenas em agosto. O local ainda não foi definido. A organização do evento, promovido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra em parceria com outras entidades, foi surpreendida nessa semana pelo veto do governo de São Paulo ao uso do Parque da Água Branca, na zona Oeste da capital, local das edições anteriores. Uma das possibilidades é que o evento seja transferido para o Anhembi, na zona Norte.

Ao longo de quatro dias, a feira reúne o melhor da produção agroecológica e orgânica conduzida por assentados em quase todos os estados brasileiros. De hortaliças a cachaça artesanal, as barracas comercializam mais de 1 mil itens de consumo. Um galpão é inteiro dedicado à culinária, com mais de 20 cozinhas servindo ao longo do dia pratos tradicionais de seus respectivos estados, como numa feira da gastronomia sustentável e sem agrotóxicos.

Apenas no ano passado, o público superou 260 mil pessoas e comercializou 420 toneladas de alimentos, segundo a organização.

A programação cultural contou com apresentações de Ana Cañas, Siba, Otto, Ilê Aiyê e Martinho da Vila. Em 2017, o ex-presidente Pepe Mujica e a apresentadora Bela Gil estiveram entre os conferencistas. Houve shows de Chico César, Tulipa Ruiz, Emicida e Liniker, entre outros.

João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, diz que a Secretaria Estadual do Verde e Meio Ambiente atendeu a reivindicação antiga dos conselheiros do parque e proibiu a realização da próxima edição no local. Houve protestos. “Havia música, havia feira, havia riso; o que mais se poderia querer de um acontecimento como esse?”, escreveu em seu perfil no Facebook o sociólogo Carlos Alberto Dória (ele não é parente do governador paulista), autor de importantes livros de gastronomia e culinária. “Para nós, democratas, é preciso ficar atento a esses movimentos de silenciamento ou apequenamento do MST”, comentou.

 

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Jornalista, escritor, mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela USP, membro da Comissão Municipal da Verdade da Prefeitura de São Paulo