Em 2014, em uma mesa de debates de uma feira literária, o escritor Marcelo Rubens Paiva, filho de Rubens Paiva, deputado federal assassinado pela ditadura militar em 1971, disse que “a verdadeira heroína dessa história é minha mãe”. Graças à Eunice Paiva, continuou Marcelo, que lutou durante anos por direito à verdade e justiça, o crime não ficou esquecido.

A fala emocionou Ivo Herzog, filho de Clarice e Vladimir Herzog, jornalista assassinado numa cela do DOPS em São Paulo, em 1975. Ivo preside o Instituto batizado com o nome de seu pai e que desde 2009 se dedica à defesa dos valores democráticos e dos direitos humanos. Quatro anos depois daquela feira literária, o Instituto lança o projeto “Heroínas dessa história”, para investigar e narrar as trajetórias de mulheres como Eunice e Clarice, que perderam familiares vítimas da violência do Estado e empreenderam verdadeira batalha, ao longo de quase 50 anos, para saber o que de fato aconteceu e cobrar por justiça. 

“Na nossa pesquisa inicial, apareceram 70 nomes deste universo de mulheres invisibilizadas cujas histórias de luta precisam ser trazidas à luz”, conta Carolina Vilaverde, uma das coordenadoras do projeto, cuja equipe é formada só por mulheres. A princípio, 15 personagens femininas serão perfiladas por outras 15 jornalistas, em um livro a ser publicado ainda este ano. 

A ideia é que outros livros sejam publicados depois, contemplando novas personagens. Para finalizar a primeira etapa do projeto e dar início às próximas, o Instituto lançou uma campanha de financiamento coletivo. “A história da ditadura e da luta por memória, verdade e justiça está muito ligada à força de mulheres que perderam parentes próximos e não deixaram que essa memória fosse esquecida. Queremos trabalhar para tirá-las da invisibilidade”, diz Carolina. 

No primeiro livro, estarão contempladas as seguintes heroínas: Ana Dias, Carolina Rewaptu, Clarice Herzog, Clara Charf, Crimeia Schmidt de Almeida, Damaris Lucena, Diana Piló Oliveira, Elizabeth Teixeira, Elzita Santa Cruz, Eunice Paiva, Genivalda Melo da Silva, Maria José Araújo, Marli Pereira Soares, Ilda Martins da Silva e Zuzu Angel. Na página do financiamento coletivo é possível saber, ainda que rapidamente, quem são e o que fizeram estas mulheres. Há também um video que explica o projeto e apresenta algumas mulheres contempladas no primeiro livro.

Já no time de autoras desta primeira edição estão Bianca Santana, Carla Borges, Eleonora Lucena, Fabiana Moraes, Ines Garçoni, Jéssica Moreira, Laura Capriglione, Miriam Leitão, Paula Sacchetta, Patricia Cornils, Semayat Oliveira, Silvia Bessa, Sheila Raposo e Tatiana Merlino. As entrevistas têm sido filmadas e o material deve ser usado, mais adiante, para a produção de um documentário e podcasts. “Temos a pretensão de gerar produtos em outros formatos para atingir o maior número de pessoas”, conclui Carolina.

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