O jornalista Eduardo Reina investigou o sequestro de 19 filhos de presos e desaparecidos durante a ditadura no Brasil.

Casos de crianças sequestradas em regimes autoritários de outros países, sobretudo nos vizinhos Argentina e Uruguai, são bastante conhecidos há décadas. No entanto, por aqui, não havia registros de episódio semelhante. Essa lacuna na investigação histórica começa a ser preenchida com o lançamento do livro “Cativeiro sem fim” (Alameda, 2019), do jornalista Eduardo Reina.

Em dois anos de pesquisa, Reina identificou 19 crianças sequestradas pela ditadura no Brasil. Treze delas são da região da guerrilha do Araguaia, foco do trabalho inicial do jornalista; as outras são de Pernambuco, Mato Grosso e Rio de Janeiro. “Deve ser muito mais do que isso”, aposta Rogério Sotilli, diretor do Instituto Vladimir Herzog, entidade financiadora do livro. “A ditadura brasileira foi referência para outros países. No Uruguai e na Argentina houve a prática de sequestro de crianças, todo mundo sabia. E no Brasil não. Tinha algo errado nisso”, diz.

As crianças alvos dos militares eram filhas de militantes políticos, mortos ou presos pelo regime. Sequestradas, eram adotadas ilegalmente pelos próprios militares ou por famílias próximas ao regime. “Existe uma não comunicação desses fatos, porque foi uma ação de Estado barrar esse tipo de informação. E eles foram muito felizes. O governo militar sabe muito bem como tratar a comunicação numa guerra, o que infelizmente a oposição faz com deficiência”, disse o autor em entrevista à Ponte.

No lançamento, nesta terça (2), Reina participa de uma mesa de debate com a procuradora Eugênia Augusta Gonzaga, da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.

O evento acontece no Centro Universitário Maria Antônia, a partir de 19h.

Rua Maria Antônia, 258, Vila Buarque, São Paulo/SP

 

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